05/09/2007

naquela noite as duas...
nele.

o sol em três,
depois da noite.

depois do sol,
só dedos.

depois dos dedos...
ele.

as duas em si,
os três sem dó.

ele em mi
ele lá...

depois os três...
viram sol.

sem mais.

falaram preu lembrar você

no mar as pedras falaram preu te lembrar
de início não me toquei
te toquei
só de relance

falaram mais vez qué preu te lembrar
te lembrei
me toquei
só de relance

falaram preu lembrar você
qué dizer que me esqueci
que precisou lembrar
só de relance

Qué dizer que precisou falar
preu lembrar você
que não me esqueci
nem de relance
Como eu amo
me como, me amo
me ato em mim
e me acordo.

me língua, me mordo
me cabelos
me mãos nas pernas percorrem.

como eu quero
me quero
me busco, me corro
me declaro amor eterno.

- eu queria ser mais contemporânea, mas sou romântica-

01/09/2007

maio de 2002

Ao amor, que é a vida


Tu és meu canto, meu pranto
minha arte, minhas vogais.
E eu que choro tanto
faço do canto um desapego,
que conforta, que enternece
que acolhe todo o pranto
e entontece todas as lágrimas
perdidas, chorosas
que cochicham e choram
e falam e calam
suspiram, gritam !
engasgam, miúdas
cantando palavras
que confortam, que enternecem
que acolhem o pranto
E entontecem. E entontecem.

janeiro de 2003

Quisera nascer com uma pedra no peito
pesada, doída, convexa.
E no lugar do que chamam de amor
espinhos, fagulhas, faíscas.
Soltar verbos ao invés de flores
Viver pra ter, pra ser um vão.

Não chorarei.
Minhas lágrimas são versos quentes
que jorram feito sangue
e matam lentamente.

Serei só.
Se não querem me ver como sou
São tão cegos!

Solidão.
Vejo um mundo a que não pertenço.
Vejo máquinas, pessoas
Pessoas-máquinas, egoístas

O ódio do mundo não me consome.
Eu tenho meus versos
Que ainda jorram, lentamente...
sangue após sangue.

21/08/2007

Os dois

Dois olhos, dois olhos
os quatro se refletindo
estrelas no céu
na terra dois corpos em um.

Eles estão parados,
ali fez-se ouvir o silêncio.
O mundo então pára.
É preciso escutar mais os olhos.

Encontro antigo.
Ela feliz de contar com ele.
E sempre, e sempre
o pulsar bate em paz no seu corpo.

Eles querem que a noite não passe.
Eles querem um sonho pra sempre.
É preciso escutar mais as luzes.
Ela deita e apaga a luz.

ao querido Renato

03/08/2007

A pedra

Quisera eu uma pedra no peito
bem grande, bem pesada.
E por causa da pedra eu teria mais peso
meus pés pisariam o chão com mais força

Então meus passos ficariam marcados
e todos saberiam por onde andei.
A minha presença alteraria o chão
minha chegada seria notada, facilmente.

Minha pedra batendo no peito
faria tremer o mais valente dos homens.
O ruído da pedra.
Seria impossível não me darem ouvidos

Quando eu estivesse com pressa,
prontamente se abririam os caminhos.
A pedra pulando no peito ao correr
assustaria até as formigas do chão.

Como eu seria tão forte!
As pessoas me respeitariam
por ter a pedra no peito.
Eu seria ela, tão grande.

Nos dias de hoje eu me pergunto:
Pra que viver com moderação?
No peito, se tem um buraco,
eu quero a pedra!
Navegue-me, por favor.